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POLÍCIA
  
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17/03/2010 00:30 - quarta-feira, 17 de março de 2010.
Menor morre enforcado com lençol
Garoto de 16 anos foi assassinado no presídio

AKR

Luís Felipe estava recolhido na carceragem desde o último dia seis de fevereiro
FABRICIANO – Depois das denúncias de tortura, o presídio de Coronel Fabriciano registrou mais um triste episódio na noite desta segunda-feira (15). Por volta das 19h, o menor infrator Luís Felipe Samora dos Santos, de 16 anos, foi assassinado na cela 21, onde havia outros oito adolescentes. Agentes penitenciários perceberam um início de tumulto e encontraram o rapaz caído, com um lençol envolto no pescoço. Luís Felipe chegou a ser socorrido ao Hospital Siderúgica, onde teria dado entrada já sem vida – com hematomas e ferimentos no rosto. Dois garotos de 15 anos e outro de 16 foram identificados como os responsáveis por matar a vítima. Eles confessaram o crime. Foi o primeiro homicídio na unidade prisional, desde a inauguração em 19 de novembro de 2008. 

Luís Felipe estava recolhido na penitenciária de Fabriciano desde o dia seis de fevereiro deste ano, quando foi detido sob a acusação de participar do assassinato da dona de casa Josiane Alves de Oliveira, de 29 anos, morta com um tiro na cabeça no Bairro Santa Rita. Na ocasião, também foram detidos outros dois adolescentes, ambos de 14 anos, e Weryclebson Carlos Gonçalves Oliveira, 20. Todos teriam tido participação no homicídio da mulher e foram localizados no Bairro Santa Cruz. 

O crime 
Na manhã do dia cinco de fevereiro, os três menores e Weryclebson invadiram a casa do pedreiro Gleisson Gomes dos Santos, 29, no Beco Valdomiro de Oliveira, no Bairro Santa Rita. Eles balearam Gleisson, que é mais conhecido como ‘Branco’, e mataram Josiane – esposa dele. Alvejado por vários disparos, o pedreiro foi socorrido ao Hospital Siderúrgica, onde conseguiu se recuperar dos ferimentos. 

De acordo com testemunhas, o homicídio aconteceu logo depois de gritarem pelo nome de ‘Branco’ em frente à residência. Quando abriu uma porta para ver quem era, ele acabou surpreendido pelos acusados que, sem dizer nada, começaram a descarregar armas de fogo em sua direção. Tentando defender o marido, Josiane entrou na frente dele e foi atingida por um tiro na cabeça, morrendo na hora.

Os três menores e Weryclebson foram até o imóvel onde ‘Branco’ morava em um automóvel. Luís Felipe não teria efetuado nenhum disparo contra o pedreiro e a esposa, aguardando do lado de fora no carro. 

Homicidas 
O diretor da penitenciária de Fabriciano, Edmar Soares, que assumiu recentemente o cargo depois de denúncias de torturas na unidade prisional, conversou com o jornal VALE DO AÇO – pouco depois de o assassinato ter acontecido – e falou sobre a morte de Luís Felipe. “Percebemos um tumulto dentro do cela 21 e os agentes penitenciários foram para lá tentar resolver o que estava acontecendo. Os menores recuaram e um deles estava caído no chão. Os agentes entraram rapidamente e socorreram Luís Felipe para o hospital. Ele ainda estava com os batimentos cardíacos”, descreveu.

Edmar ainda destacou que na cela onde Luís Felipe foi morto só havia menores acusados de assassinatos. “Todos os menores que estão recolhidos aqui no presídio são homicidas. Recentemente, tive que retirar um dos adolescentes da cela, pois ele estava ameaçado de morte”, concluiu.

Delegado 
O delegado Gustavo Cecílio, da 19ª Delegacia Seccional de Fabriciano, investiga o assassinato de Luís Felipe. “Ainda na noite de segunda-feira fomos até ao local do crime. Três menores assumiram a autoria da morte de Luís Felipe e contaram como foi a dinâmica dos fatos. A vítima morreu porque teria ameaçado os adolescentes durante a manhã. Receosos em sofrer algo, eles agiram antes que acontecesse a efetivação das ameaças. Eles enforcaram um menor com um lençol”, revelou o policial civil.

Gustavo Cecílio lembrou que pouco poderia ser feito para evitar a morte de Luís Felipe. “Não vejo nenhuma responsabilidade do presídio no assassinato. Conversei com o diretor e fiz entrevistas com os agentes penitenciários. Foi uma fatalidade que, ao que parece, não havia como não ter ocorrido”, finalizou o delegado lembrando, ainda, que a princípio a morte de Luís Felipe não seria uma retaliação ao assassinato de Josiane.

O corpo do menor foi necropsiado no Instituto Médico-Legal de Ipatinga (IML). Ele foi velado, ainda nesta terça-feira (16), numa igreja evangélica do Bairro Sílvio Pereira II. O sepultamento aconteceu em Fabriciano no final da tarde. 

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